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Sou pobre e começo a envelhecer, e daí? Foda-se!

Artigo de Rogério Silvério de Farias

 

Chegando a essa altura da vida, não tenho mais nada a perder. Sou pobre e começo a envelhecer, e daí? Todos, independentes de serem ricos ou não, estão todos fodidos e condenados à morte. Claro que os que têm mais grana podem pagar bons médicos e comprar melhores remédios. Mas ninguém – rico ou pobre – vai ficar para semente. Todo humano um belo dia morre. É uma porra de lei da natureza.

E além do mais, já pensou se ninguém morresse? Essa bosta de planeta ficaria superlotado de gente, haveria escassez de comida e água por causa da superpopulação do planeta. Desconfio que haja guerra neste mundo exatamente para isso, para matar um pouco de gente e não superlotar esse planeta.

É verdade que só um louco, poeta ou idiota desejaria morrer. Todo mundo quer viver. Porém, viver para sempre é uma loucura e só seria interessante esse desejo de vida eterna se nosso corpo físico não se desgastasse com a merda do Tempo. Mas a Fonte da Juventude creio que ninguém ainda a encontrou.

Como já falei, a essa altura da vida, estou ficando velho, amargurado e – o pior dos infernos! – pobre!...

Sim, não tenho onde cair morto. Qual a vantagem disso, afinal? Eu digo que a vantagem é não estar prisioneiro do existir.  Temos que aceitar a condição humana. É bobagem, é loucura lutar o tempo todo contra a passagem do Tempo, o azar, a doença e a porra da morte. O que tiver de ser será.

Porém... Você sempre pode ser aquilo que eu chamo de um bom mentiroso, porque a ilusão é que nos mantêm vivos, a ilusão do desejo de ser eterno, imortal, feliz, saudável e belo. Sem mentiras e ilusões, a vida se torna um tédio. É por isso que só as crianças são felizes, elas vivem no seu mundinho de fantasia e estão cagando solenemente para a porra da vida dos adultos.

A vida é ruim, principalmente para nós pobres e azarados. E daí? O negócio é viver a porra do momento, ser uma bolha de sabão vagabunda flutuando no ar, sem rumo ou com o rumo pré-definido para o precipício ou à porra do túmulo.

Estou ficando velho, continuo pobre, azarado. E daí? Foda-se, seu Zé! Eu não dou a mínima para a sorte e o azar, esses dois impostores!...A vantagem de ser velho é que você desenvolve o pensamento essencial libertário, e a pobreza pode ser apenas uma merda a mais boiando nas horas que antecedem a visita à última morada, o futuro lar de todos, a porra do cemitério!

Ah, quer saber? Sou pobre. Pois bem, foda-se o mundo!

 

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