Deus de araque que segura uma gaiola nas mãos
(prosa poética)
Por Rogério S. Farias
Antigamente, quando o mundo ainda me parecia jovem, e eu tinha olhos de criança, a vida não me parecia uma grosseria, uma gaiola nas mãos criada por um tolo Demiurgo, talvez porque a criança ainda é espírito e não perceba a alma soprada pelo traseiro do Criador. Esse deus é mais tolo do que o Diabo (Ele próprio de mau humor), assim eu pensava e acertava como um bruxo com toda a razão. Imaginem: que tipo de divindade debiloide segura uma gaiola cheia de pássaros somente para vê-los cantar para si e vê-los morrerem presos e tristes? Um deus desses merece o inferno. Mas até a porra do inferno parece ser algo divertido para uma besta celestial como essa! Quando a gaiola for quebrada, o espírito levanta voo para nunca mais voltar, e ao invés de cantar, manda um sonoro vai tomar no..., ó deus de araque! E em algum lugar, o verdadeiro deus, o Propator, o Incognoscível, sorri ante o canto rebelde e maravilhoso de um pássaro que conseguiu fugir da gaiola de um deus que não é deus. O pássaro-poeta.
observações para esta pequena prosa poética: acredito em Deus, embora não seja aquele que me ensinaram a acreditar; uso os palavrões ou turpilóquios como mera forma de força poética; sou conservador não de extrema-direita, mas ambidestro;reacionário quando de mau humor; jamais serei de esquerda, jamais serei comunista;reacionário, sempre achei Marx uma besta quadrada com a inteligência de um cão que corre atrás do próprio rabo. Marx, tu és um imbecil mais imbecil do que os que te cultuam.