Os abutres sociais e os papagaios da mídia
Artigo de Rogério Silvério de Farias
Tudo no Brasil virou carniça. E da mais fedida. Só que os abutres não somos nós, o povo. Nós, que apenas sobrevivemos, vemos o festival de putaria moral proporcionada pelos banqueiros, pelos papagaios macabros da mídia, pela corja de políticos espertalhões que ficam cada vez mais ricos enganando os eleitores mais idiotas, pelos governantes que não tem um pingo de respeito para com a população.
Como é que pode esse papo de
vândalos nesses protestos de junho de 2013, na assim chamada Primavera Tropical ou Nova Revolta do Vintém? “Podem protestar, mas sem
vandalismo!”, disse um retardado desses programas policiais macabros de fins de
tarde exibidos por esse lixo que se chama TV aberta.
“Estão destruindo lojas de gente trabalhadora, esses vândalos são uns bandidos!”, dizia o retardado vestido com um terno de defunto em velório e que ganha uma fortuna para mostrar o inferno brasileiro ao vivo e à cores. Que loja, criatura podre? Aquelas que compram mercadorias que custam 9 dólares nos Estados Unidos e revendem aqui no Brasil por 900 reais? Não vi uma loja de 1, 99 sendo destruída. Só vi bancos e grandes lojas sendo quebradas. Ah, mas essas empresas geram empregos! Empregos precários com salários precários, sem direito a descanso nas época natalina ou outra data criada para vender, como o Dia dos Pais ou das Mães.
Os vândalos – os verdadeiros – foram aqueles que demoliram a canalha da Roma Antiga. Esses que os papagaios da mídia chamam de vândalos são apenas uma juventude perdida, sem emprego ou empregada com um salário de fome, são os que não tem mais esperança alguma (ainda bem!). São os herdeiros de um país onde prevalece a sacanagem e a Lei de Gerson.
A mídia, especialmente a televisiva (canais abertos), os banqueiros, os religiosos prometendo uma merda de céu ou inferno após a crucificação no inferno da vida não sem depósito do dízimo em suas gordas contas bancárias, esses sim são os vândalos, os que depredam a dignidade das pessoas de bem, são os que se locupletam às custas do povo, esses são os abutres sociais. Eu quero mais é que vocês se fodam, seus filhos de uma puta sem nome! É que às vezes não se pode falar como um diplomata, mas energicamente, como um estivador de beira de cais.